domingo, 4 de fevereiro de 2007

Gravação do SUITSAT-1

O SUITSAT-1, lançado a partir de um EVA na ISS, não correspondeu aos resultados esperados pelos seus mentores. Contudo, algumas estações bem apetrechadas conseguiram receber algumas das suas mensagens. Enquanto esperamos pelo SUITSAT-2, que em breve será anunciado neste blog, ouçamos uma das gravações do Suitsat-1 efectuada por VE6BLD.

Ouça AQUI.

Radar GRAVES em VHF

Desenvolvido para a Força Aérea Francesa, o radar espacial GRAVES entrou em operação nos finais de 2006. Este sistema permite monitorizar centenas de satélites LEO (Low Earth Orbiter) tal como os Cubesats e outros objectos espaciais, muitos deles com menos de 10cm em espessura e a altitudes abaixo dos 1000km.
Quatro feixes em VHF varrem uma área de 45 graus que, com medições do efeito doppler, detectam grande parte dos objectos espaciais que passam por cima da Europa. Graças aos esforços de alguns membros da lista Hearsat, determinou-se a frequencia de operação nos 143.050mhz. Um exemplo da "assinatura" de um satélite pode ser visto aqui.
O processo é simples, basta sintonizar um receptor VHF nos 143.050 USB e esperar um pouco. As reflexões dos objectos espaciais traduzem-se em "pings" de menor ou maior duração, dependente do seu tamanho físico. A saída de som do rádio pode ser ligada a um PC e o áudio analizado com um programa tal como o Spectrum Lab.
Passei a manhã a escutar esta frequencia e confirmei, de forma bastante empírica, a passagem do AO51, anunciada momentos mais tarde pelo programa Orbitron.

Créditos para lista Hearsat e PE1ITR

Telemetria do RAFT (NO-62)

Ainda em experiências com uma Yagi 9 elem UHF, coloquei-a encostada a uma parede e apontada para o prédio em frente. Ainda assim, chegaram uns pacotes de telemetria do FCAL, mas foram fracos e não consegui descodificar. Logo em seguida chega o RAFT, em 145.825 MHz. Eis alguns dos pacotes recebidos:

Fm RAFT To BEACON Via SGATE [00:01:44]
T#920,080,002,036,035,125,10000000,999

Fm RAFT To BEACON Via SGATE [00:02:21]
T#924,080,002,036,035,124,10000000,999

Fm RAFT To BEACON Via SGATE [00:02:31]
T#925,080,002,037,035,124,10000000,999

1:Fm RAFT To BEACON Via SGATE [01:36:13]
T#487,079,002,036,035,086,10000000,999

1:Fm RAFT To BEACON Via SGATE [01:36:41]
T#490,079,002,036,035,085,10000000,999

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Tempestade no pólo Sul de Saturno

Na imagem vemos os dados
relativos à temperatura obtidos
pela Cassini. (©NASA/JPL/
Space Science Institute/GSFC)



A sonda espacial Cassini (NASA) detectou um gigantesco furacão, em plena actividade, no pólo Sul de Saturno. O furacão tem cerca de 8.000 quilómetros de diâmetro – 2/3 do diâmetro da Terra – e encontra-se rodeado por uma imensa parede de nuvens.

“Parece um furacão, mas não se comporta como um furacão”, afirmou Andrew Ingersoll, membro da equipa Cassini, da CalTech (Pasadena, EUA). “Seja o que for, iremos estudar com particular interesse o olho da tempestade para descobrirmos a razão porque ela lá está.”


Um vídeo obtido através de uma das câmaras da Cassini e onde se apresenta um período de 3 horas, revelou os ventos com velocidades de 550 quilómetros por hora que assolam o pólo Sul do planeta Saturno. A câmara também foi capaz de captar a sombra do anel de nuvens que rodeia o pólo e dois braços espirais de nuvens que têm origem no anel central. Estes anéis de nuvens, que se encontram 30 a 75 quilómetros acima do centro da tempestade, são 2 a 5 vezes mais “altas” do que as nuvens que rodeiam tempestades e furacões terrestres.

As nuvens que rodeiam o olho da tempestade, como se fossem paredes, são características nos furacões na Terra. Os furacões formam-se pela subida de ar húmido para a atmosfera, ao longo da superfície do oceano, libertando, ao longo deste processo, uma chuva intensa em torno da região circular interior – de ar descendente – que é conhecida como o ‘olho da tempestade’. Embora não se perceba se o que mantém o ‘olho escuro’, na região do pólo, é um processo de convecção húmida a sua parede de nuvens e os braços em espiral que apresenta, parecem apontar para que ele seja realmente um furacão.

No entanto, na Terra, os furacões precisam da força de Coriolis – que é a combinação entre a circulação atmosférica e a rotação do planeta – para se desenvolverem. Mas a força de Coriolis não é eficiente para desenvolver vórtices (furacões) na região dos pólos. Um furacão polar tem na origem regiões de baixa pressão que se encontram próximo dos pólos do planeta. Os vórtices polares são comuns e podem ser encontrados perto dos pólos de qualquer planeta com atmosfera, mesmo na Terra.

Algo que até agora só tinha sido detectado na Terra, mas que agora foi observado em Saturno, é a gigante parede de nuvens que envolve o olho da tempestade. Mesmo a famosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que é muito maior do que a tempestade em Saturno, não aparente ter um olho, ou nuvens em volta desse olho, e é relativamente calma no seu centro.

A gigantesca tempestade em Saturno é diferente dos furacões terrestres porque parece estar ‘presa’ ao pólo – não se desloca. E porque Saturno é um planeta gasoso, a tempestade forma-se sem ter na base um oceano.

Nas imagens obtidas pela Cassini, o olho surge escuro no infravermelho, onde o metano absorve a luz, e apenas vemos as nuvens mais altas. O olho da tempestade parece estar num nível mais baixo do que a restante “superfície” de nuvens do planeta. “Esta é a visão mais interior de Saturno que até agora conseguimos observar em diferentes comprimentos de onda. Esta visão revelou um grupo de nuvens escura na base do olho.”

Observações no infravermelho, levadas a cabo com o telescópio Keck 1 (Mauna Kea, Hawaii, EUA) já tinham mostrado que o pólo Sul de Saturno é quente. As observações da Cassini confirmaram isto produzindo mapas de temperatura de alta resolução. O espectrómetro detectou um aumento de temperatura de 2 graus Kelvin no pólo. O instrumento calculou as altas temperaturas na troposfera superior e na estratosfera, regiões mais elevadas da atmosfera do que as nuvens que vemos nas imagens.

“Os ventos diminuem com a altitude, e a atmosfera parece reduzir, comprimir e aquecer na região do pólo Sul”, afirmou Richard Achterberg, membro da equipa Cassini (NASA Goddard Spaceflight). Observações a realizar ao longo dos próximos anos, à medida que o pólo Sul muda a estação de Verão para Outono levará a uma melhor compreensão do papel das estações nas mudanças dramáticas da meteorologia no pólo do planeta.

Para mais informações :

Segmento 145.800 <--> 145.990

Este segmento destina-se à operação via satélite. Não utilize estas frequências para QSO's de outro teor. Em Espanha andam a utilizá-las para conversas locais, o que provoca consequências no downlink. Se ouvir algum QSO neste segmento, não deixe de informar os colegas da necessidade de o deixarem livre.

Live OSCAR Satellite Status Page

Serve para informar em que modo está a funcionar determinado satélite, em função dos reportes enviados por radioamadores em todo o mundo.

Visite em http://oscar.dcarr.org/

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Efeito Doppler do AO-51

Aqui está uma tabela da minha configuração para o AO-51:


Mem. 1 Freq Rx 435.310 MHz freq Tx 145.915 MHZ
Mem. 2 Freq Rx 435.305 MHz freq Tx 145.920 MHZ
Mem. 3 Freq Rx 435.300 MHz freq Tx 145.920 MHZ
Mem. 4 Freq Rx 435.295 MHz freq Tx 145.920 MHZ
Mem. 5 Freq Rx 435.290 MHz freq Tx 145.925 MHZ


Só têm que programar as memórias do rádio com esta configuração. Depois, consoante o satélite se desloca e à medida que a modulação se torna difícil de compreender (por efeito de doppler), vai-se mudando de memória. Simples!

O que são keps?

Keps é a abreviatura para os elementos keplerianos (assim baptizados em honra do célebre matemático Johannes Kepler, que enunciou as três famosas Leis de Kepler). Esses elementos sintetizam informações sobre a órbita dos satélites que os programas necessitam saber para, em função da nossa posição na Terra (latitude/longitude), calcular os períodos do dia em que os satélites são visíveis desde o nosso QTH. É também com esse programa que calculamos os valores de azimute e elevação para apontar as nossas antenas na direcção do satélite.

Podem ser encontrados em http://www.celestrak.com/

Exemplo de Keplerianos:

CUTE-1
1 27844U 03031E 06360.88469727 .00000074 00000-0 54768-4 0 92412 27844 98.7210 6.5360 0009303 225.2546 134.7862 14.20481583181013

Breve história dos satélites de amador

Em inglês e por N7HPR.

Em http://www.amsat.org/amsat/sats/n7hpr/history.html

Compreender o Doppler

...em inglês e por VK3JED.

Em http://www.qsl.net/vk3jed/doppler.html

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Homenagem à tripulação da APOLO 1


1967 – O programa americano da conquista da Lua, o Apolo, começa tragicamente. O Apolo 1, que seria o primeiro vôo da série, pega a 28 de Janeiro uma faísca eléctrica inicia um incêndio, que se espalha rapidamente na atmosfera, rica em oxigênio da nave. Os astronautas Virgil Grisson (1926-1967), Edward White (1930-1967) e Roger Chaffee (1935-1967), que testavam os sistemas do módulo de comando na nave, morrem sufocados.


AS-204 Patch-"The Patch That Never Flew"
Creditos: NASA

FO-29



Se por acaso encontrarem algo parecido com esta imagem no vosso quintal, jardim, ou mesmo num campo, podem acreditar que se trata do FO-29 e não de uma nave alienígena.

Tudo sobre este bonito aparelho em http://www.jarl.or.jp/English/5_Fuji/espec.htm

JARL "Fuji" Award Program

A Japan Amateur Radio League outorga o diploma AMATEUR-SATELLITE "FUJI" AWARD a todas as estações que fizerem prova de contacto com 10 indicativos diferentes, utilizando para tal qualquer dos seguintes satélites:

JAS-1 (Fuji, FO-12, 8J1JAS)
JAS-1b (Fuji, FO-20, 8J1JBS)
JAS-2 (Fuji, FO-29, 8J1JCS)

O pedido deverá ser acompanhado por uma lista de QSL's recebidas, indicando os indicativos, datas, bandas e modos dos QSO's. Para além dessa lista, deverá ser enviada uma certificação da veracidade dos dados, certificação essa que poderá ser feita pela associação nacional ou por dois radioamadores.

O diploma custa 12 IRC's ou 16 dólares americanos.

A morada para pedido é:

Japan Amateur Radio League - Award Desk, 1-14-5 Sugamo, Toshima, Tokyo 170-8073, Japão

Mais pormenores em http://www.jarl.or.jp/English/5_Fuji/eaward.htm

Anexo: Telemetria em CW

O post colocado pelo Fernando (CT2ISG) cujos créditos apontam para o PY3VHQ está muito bom e está lá tudo explicado. O facto do morse enviado pelos satélites ser robotizado é bom mas o senão do efeito de doppler faz com que seja bastante difícil a utilização de um programa de descodificação. É aqui que pode entrar um programa de gravação de áudio.
Se souber morse, poderá gravar o código morse e descodificar depois, caso não saiba poderá recorrer a uma tabela com o código morse e descodificar os pontos e traços tal e qual como descrito no post anteriormente referido apenas com um senão. O gráfico apresentado, de amplitude em função do tempo não será o melhor. Na minha opinião terá melhores resultados se utilizar um gráfico da frequência em função do tempo, vulgarmente conhecido como espectrograma. Melhor dizendo, um gráfico tri-dimensional representado em duas dimensões. A terceira dimensão, a potência de cada frequência num ponto específico do tempo é representado por uma cor.

Desta forma pode ver-se o efeito de doppler de forma gráfica e eliminar o erro associado a possíveis interferências que podem influenciar na descodificação.

A título de exemplo veja-se este gráfico de amplitude em função do tempo de três letras:

É com alguma dificuldade que se descodifica a sequência XIV, ou seja, o início de uma sequência de telemetria do CO-58 (XI-V). Apresentando agora a mesma amostra mas numa representação da frequência e potência/energia em função do tempo (espectrograma) podemos ver sem qualquer dificuldade os pontos e os traços.

A Frequência de amostragem utilizada foi 22050Hz pelo que a frequência máxima apresentada é 11025Hz.

Sequência: XIV3 36 32 85

Visualização do efeito de doppler


PS: Existem muitos programas de áudio que possuem esta função e alguns deles gratuitos. Procurem um que não apresente o espectrograma a três dimensões pois pode dificultar a visualização.

Há umas publicações atrás.....

pedimos para nos dizerem o que acham do T.C.P.

Ninguém respondeu ao desafio. Não sabemos quem nos lê e se gostam. Provavelmente ninguém nos lê :)

Outra possibilidade é terem esquecido de usar o tom de 67Hz na escrita do comentário.

O que acontece quando.....

dois sinais chegam a um satélite ao mesmo tempo, em FM, é que o efeito de captura do sinal mais forte aniquila o sinal mais fraco. E se, por acaso, o sinal mais forte se esquecer de usar o tom de 67Hz (ou qualquer outro quando requerido), aí nem um nem outro usam o "pássaro". Será que é isso que se passa no SO-50, ou haverá algum problema ainda não reportado.

Queixas sobre a utilização do AO-51

Andam a circular pela lista AMSAT-BB alguns protestos e queixas sobre a má utilização do AO-51. Pelos visto o fenómeno não é europeu, é mundial. Isto porque os possíveis ET's não devem saber que existe o ECHO.

O que é verdade, e é triste, é que o AO-51 está a tornar-se uma "selva".

Contagem decrescente para jovens de Oeiras

Reproduzimos notícia que nos chegou da AMRAD.

A tripulação da ISS – International
Space Station (estação espacial internacional) composta por Mikhail Tyurin, RZ3FT, Mike Lopez-Alegria, KE5GTR, e Suni Williams, KD5PLB, na fotografia em cima, é a 14 Expedição da ISS, cuja missão foi iniciada em Setembro de 2006 e terminará em Março de 2007, um dos astronautas desta missão, será aquele que irá falar com os alunos das escolas do concelho de Oeiras, a Camilo Castelo Branco em Carnaxide, Jorge Mineiro em Queluz de Baixo e Manuel Vaz em Barcarena. Numa terceira tentativa, os alunos destes estabelecimentos de ensino, designadamente: João Cardoso; Tiago; Joana Milão; Ana Cristina; Catarina; Miguel; Luís; Cardina Freire; Pedro; Emanuel Cruz; Vanessa Batista; Daniel; Francisco; Diogo; Pedro Mata; João Dias; Carolina; Ana Sofia e João Neves, aguardam ansiosamente pela oportunidade de serem os primeiros jovens portugueses, desde Portugal, a comunicar directamente com astronautas numa missão espacial tripulada. A AMRAD ainda não sabe a data e hora precisa, pois ainda não foi estabelecida pela NASA, mas será provavelmente na semana de 12 a 19 de Fevereiro próximo. O contacto terá lugar no Observatório Aeroespacial de Oeiras, localizado no Centro de Juventude Oeiras.




Novas funcionalidades para o UISS

Guy, ON6MU, desenvolveu mais algumas funcionalidades para o UISS, o seu programa de comunicações digitais via satélite. Aqui estão as duas que eu achei terem mais interesse:

UISS SoundRecorder
Permite mais tempo de gravação, ideal para gravar
contactos em fonia com a ISS ou outros Satélites.

Download aqui:
http://users.belgacom.net/mysoftware/LongRecord.zip

UI-MapView para o UISS
Compatíveis com o TH-D7 e TM-D700.





Download aqui:
http://users.belgacom.net/mysoftware/UIMapView_UISS_Addon.zip

STS107

Faz hoje quatro anos que a STS-107 explodiu ao re-entrar na atmosfera.

Foto: NASA